domingo, 15 de agosto de 2010

Imagens

Esse texto é um esboço, um rascunho de algo que andei pensando, um tipo de ficção científica sobre a vida do homem daqui a bilhões e bilhões de anos. Em um outro post eu falei sobre isso, da doideira que eu estava em pensar que daqui a eras nada de hoje faria sentido. Comecei a esboçar um texto e parte dele segue abaixo. Espero que tenham paciência pra ler.

IMAGENS

O planeta não é o mesmo, o mundo não é o mesmo. Nada do que a humanidade sabia, era ou existia no seu início é o mesmo agora. Existem registros daquela época que se passou há tanto tempo que não nos preocupamos mais em quantificá-lo. Poucos na verdade se preocupam ou se interessam em preservar ou buscar estes registros, estas marcas, mas quando as descobrem é como se um novo mundo fosse descoberto. Talvez esta seja a única coisa que sobrou hoje do que um dia a humanidade chamou de religião, um culto aos nossos ancestrais, ao nosso berço e ao que fomos um dia.

As imagens de pessoas que viveram no nosso planeta natal, chamado simplesmente Terra, os que tiveram a sorte de assistir o verdadeiro Sol nascer e se pôr todos os dias são como o que a humanidade já chamou de Deus. Vemos imagens de seus rostos, tão variados, suas roupas, objetos, registros de sua escrita. Nada mais existe, apenas as imagens, nenhum fragmento daquela realidade resistiu ao destino de tudo que existe do Universo, o fim. Vemos com certa inveja o mundo sobre o qual vivíamos mas que estávamos fadados, desde sempre, a perder. Admiramos os animais, as plantas, florestas, oceanos e montanhas. Hoje são palavras quase sem sentido pois denominam coisas que parecem nunca ter existido. Como era belo nosso planeta, como foram abençoadas aquelas pessoas que viveram há tanto tempo! Nossa tecnologia não permitiu que vivêssemos indefinidamente em um mundo assim, nossa ética não permitiu que mantivéssemos pessoa vivas para sempre pois seriam apenas corpos se repetindo em consciências diferentes. Ainda hoje não sabemos se existe algum lugar para onde vamos após a morte mas gostamos de acreditar que é para lá, para a nossa Terra natal que voltamos, um pequeno planeta azul.



Lá podemos sentir o cheiro das plantas trazido pelo vento, a brisa do mar que trazia umidade. Voltamos a saber como é a chuva repentina e as sensações que ela nos traz, como são os raios, podemos ver um pássaro voando no céu e a sensação de frio ou calor. Nosso olfato se degradou e o paladar também. Temos pouca variedade de comida que serve apenas para nos alimentar. Dizem que podíamos comer apenas pelo prazer, para sentir o sabor das coisas, em grandes quantidades, gostos variados. Vejo as imagens dessas comidas e tento imaginar que gosto tinham mas não consigo pois meu paladar não permite.

Aqui podemos apenas ver algumas plantas preservadas para a nossa sobrevivência. Não há espaço para florestas, bosques ou vida selvagem. Os animais foram deixados para trás, não havia como resgatá-los e hoje são apenas imagens tão fantásticas que muitos creem que eles sequer existiram.

Nosso mundo não tem luz, não tem nome, vivemos em uma máquina. Não temos mais a luz do Sol, Lua ou o céu azul, vivemos em torno de uma estrela minúscula perto do Sol original mas para a qual mantivemos o nome. Não existem estrelas no céu, quase todas já se apagaram ou são como esta que orbitamos, emitindo uma fraca radiação da qual tiramos energia para manter nosso pequeno mundo vivo. Felizes eram aqueles que dispunham de toda a energia que precisavam pois a Terra e o Sol lhes davam com sobra. Aqui nada é desperdiçado, nada é descartado, dejetos, lixo, ar, mortos, tudo deve ser aproveitado de alguma forma pois não temos mais nossa mãe Terra para nos dar nada.

4 comentários:

Tinúviel disse...

Considero o seu conto como uma verdade futura,pois, o ser humano não está sabendo cuidar e reaproveitar o que é dado pela natureza.E o desperdício é a nossa decadência..

Primavera disse...

Caraca... fiquei tão impressionada com o realismo das palavras nesse texto que me emocionei!
Queria poder estar viva daqui a bilhões e bilhões de anos pra poder dizer “Eu já sabia que o nosso fim seria esse, meu amigo Daniel já havia me contado.”

Sem palavras sobre o que escreveu. Mais uma vez tiro meu chapéu pra vc amigo.

Bjs

Nana disse...

Bjs e fik com Deus.

Talita disse...

Sério que é assim que você imagina a sobrevivência de poucos após o fim?
Interessante...
Ao ler seu texto vieram imagens de um filme (O Livro de Eli) e em alguns trechos de Astronauta de Mármore rsrsrs
E se eu sonhar com isso, a culpa é toda sua!

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