segunda-feira, 2 de maio de 2011

É um conto de fadas?

Era uma vez uma princesa (contos de fada tem que começar com Era uma vez... e tem que ter uma princesa, certo?). Esta princesa era a herdeira do trono de um reino que já fora muito poderoso mas embora tivesse perdido boa parte de seu território ainda era uma das nações mais ricas e sua família era uma das mais ricas do mundo. Ela não era alguém que poderia ser chamada exatamente de bela (nem toda princesa é linda como as da Disney) mas tinha seu charme e havia sido educada segundo os melhores costumes e nas melhores escolas de seu país.

Como membro da família mais nobre do país ela deveria casar-se e deveria dar um herdeiro ao seu país. Seu marido deveria ser também de família nobre, educado, belo e puro. No entanto a vida não segue o que as tradições querem e a princesa se apaixonou por um homem mais velho, que não possuia uma linhagem nobre. Ninguém sabia dessa paixão que lhe era correspondida, seu país não admitiria isso e ela devia seguir o que estava planejado para ela.

Chegou o momento em que ela deveria casar-se e um noivo muito belo, carismático, tímido e de família nobre foi escolhido. Seu casamento foi uma festa belíssima, o reino parou para assistí-lo e aplaudiram os noivos dando vivas à sua futura rainha e ao seu príncipe consorte (com muita sorte, diga-se). Eles tiveram filhos, foram felizes, eram a atenção do reino e muitas vezes de outros países. O povo adorava o príncipe de olhos tímidos. Mas o antigo amor da princesa nunca se apagou por mais que ela tenha mesmo vindo a amar seu marido. Ele também seguiu sua vida e casou-se com uma plebéia.

Os anos se passaram e o casamento já não era o mesmo. A felicidade no rosto do príncipe se desfez e a princesa aparecia sempre séria ao seu lado. As coisas não estavam bem e o povo temia pelo futuro do casal real. Falava-se de casos extraconjugais do príncipe, suspeitava-se que a princesa também o traía. As pessoas a criticavam, puro preconceito, porque uma mulher deveria se submeter a tudo que lhe era imposto pelas tradições? Viam que o príncipe amado era infeliz e se sentia oprimido pela família real. A situação ficou insustentável e o casal acabou se separando (isso é um conto moderno, já existe divórcio, ok?).

A princesa foi muito criticada por deixar um homem tão belo, ela já não era jovem, nunca fora bonita e agora estava pior. O mundo adorava o príncipe e para piorar descobriram que a princesa mantivera contato com seu antigo namorado que agora também estava divorciado e esses contatos foram feitos quando ela ainda era casada. A família real estava exposta a casos de adultério de forma como nunca havia sido.

Um dia, para a tristeza e comoção mundial, o príncipe morreu em um acidente de avião. O mundo chorou sua morte e muitos passaram a nutrir uma raiva pela princesa. Ela se sentia mal com tudo isso, apenas havia seguido as tradições e tentara ser feliz, mas não desistiria por causa disso.

Com o tempo passando, o romance da princesa com seu antigo namorado foi retomado e tornado público. As pessoas não o aceitavam por ser velho e feio mas por menos que as pessoas gostassem, o amor entre eles era verdadeiro e antigo. Contra a o gosto do povo e a contragosto da família real eles se casaram, sem a festa e sem pompa. Com o tempo as pessoas passaram a aceitar melhor o casamento da princesa mas independente disso ela passou a viver com o homem que amou por tanto tempo.

E assim a princesa Camila e o príncipe Charles viveram felizes para sempre.

3 comentários:

Camila Guinsani disse...

Ahhh... Gostei MUITO disso!
Muito bem contado, muito romântico... muito real! :)
É uma bela história, que contada ao inverso faz a gente refletir!
Beijos!

Karla Fantin disse...

Muito bom!

Murdock disse...

Que bom, Camila, foi isso mesmo que eu quis, que as pessoas refletissem.

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