quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O mar faz o seu trabalho


- Será que não fomos precipitados?
- Por que diz isso?
- O julgamento foi rápido, ele mal foi interrogado.
- Você o viu na igreja alguma vez desde que ele chegou aqui? Não viu as acusações? Não são coincidências e como pode alguém passar mais de vinte anos sem envelhecer?
- Isso é o que aquele homem diz, mas será que ele tem essa idade toda?
- Não viu que com a noite ele pode sumir? Devemos queimá-lo logo! O que está havendo? Tem pena desse sujeito? Por acaso está enfeitiçado por ele?
- Não! Não, de forma alguma! Que seja queimado e nossa cidade se livre de mais um servo de Satanás!

A multidão estava excitada pelo espetáculo. A noite chegava e queriam ver o homem ser queimado vivo. O fogo foi aceso, havia gritos em glória a Deus enquanto as chamas envolveram o prisioneiro. Suas roupas se queimavam mas a pele parecia não ser atingida. Ele olhava para a multidão mas não gritava, com a fumaça terminou por desmaiar mas sua pele permanecia intacta. Os gritos cessaram e começou um murmúrio de espanto entre as pessoas. As cordas que prendiam o homem se romperam e ele caiu no topo da fogueira. Toda a madeira se queimou, as labaredas baixaram, gritos de horror tomaram conta da população. O homem jazia intacto em meio às brasas ardentes.

Sob as ordens do padre seu corpo foi recolhido e notou-se que ele estava vivo. Julgaram ter aprisionado o próprio Lúcifer que era imune ao fogo.

- Amarrem suas mãos e pés, joguem-no ao mar. A água fará o que o fogo não foi capaz de fazer.

Desacordado e amarrado, o desconhecido foi atirado às ondas do mar.

Um comentário:

Tinúviel disse...

E lá se foi a 1 oferenda..

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