quinta-feira, 10 de maio de 2012

Raptado

Estava voltando sozinho pra casa, já era tarde da noite, madrugada de sábado para domingo. faltavam poucos metros para chegar quando um carro parou ao meu lado, três homens saíram apressadamente e me atacaram. Mal tive tempo de reagir, um deles colocou um saco de pano preto em minha cabeça enquanto outro me socava no estômago. Rapidamente fui imobilizado, algemado e jogado no banco traseiro do carro. Tentava me soltar me debatendo mas senti uma pontada na minha perna no que parecia ser uma injeção, devo ter adormecido por um bom tempo depois disso.

Acordei sozinho no que parecia ser um quarto de hospital mas sem nenhum equipamento médico, apenas paredes lisas e brancas. A cama era confortável, não havia janelas, TV ou nenhum outro móvel. Olhei no meu pulso para ver a hora como sempre foi me hábito mas estava sem meu relógio. Me sentei e senti tudo balançar à minha volta. Nunca bebi mas aquilo devia ser como acordar de um baita porre e o início de uma ressaca terrível. Me levantei da cama e ainda estava tonto, o corpo doía como se eu tivesse tomado uma surra. Antes de cair consegui me apoiar em uma das paredes. Estava com a mesma roupa da véspera, apenas tinham tirado meus sapatos as meias no chão liso contribuíam para minha falta de equilíbrio. Notei uma maçaneta e fui em direção a ela, me apoiando nas paredes. Uma vontade súbita de vomitar me veio quase no momento em que alcancei a maçaneta a abri a porta do que vi ser um banheiro. Em boa hora pois mal alcancei o vaso sanitário e minhas tripas pareciam sair pela boca. Há muito tempo não vomitava, muito menos daquela forma, lembrei da imagem de bêbados sentados no chão do banheiro com a cabeça enfiada dentro de um vaso imundo. Aquele pelo menos parecia bem limpo.

Mal terminei pude ouvir o barulho de uma porta se fechando. Raciocinando o mais rápido que pude lembrei de não ter visto nenhuma outra maçaneta no quarto. Saí do banheiro e vi um homem alto vestido totalmente de preto, incluindo luvas. Não parecia estar tão frio assim. A cabeça ainda balançava mas consegui notar o rosto inexpressivo do homem que me cumprimentou de maneira cortês.

- Acredito que o senhor não esteja se sentindo muito bem, é normal. Tome este comprimido e descanse mais um pouco. Quando acordar haverá comida.

Estendeu a mão com um pequeno comprimido branco. Diante da situação eu não tinha muito a perder já que duvidava se estava realmente acordado ou se já não havia morrido. Peguei o comprimido e o engoli sem água. Deitei-me na cama com o sujeito me olhando e não devo ter demorado muito para dormir de novo pois nem o vi sair.

Quando acordei de novo não sentia mais o mal estar, apenas uma fome abissal. Notei um carrinho de hotel com uma bandeja tampada em cima. Puxei-o para perto de mim e ao retirar a tampa vi um copo grande de leite, algumas frutas e muito pão-de-queijo. Observei melhor o ambiente e vi apenas a maçaneta do que eu lembrava ser o banheiro e meus sapatos encostados em um canto. O quarto era quadrado com cinco metros de lado. Comi devagar apesar da fome, tentando entender aquilo tudo e fazer um retrospecto da noite anterior.
Eu não havia bebido nem conversado com ninguém na véspera. Não havia como terem colocado nada em minha bebida e embora os ladrões fossem bem hábeis nessa arte eu teria certamente acordado no meu apartamento com tudo revirado e vários bens a menos. Me recordei então do momento em que fui atacado e as coisas começaram a fazer mais sentido. Não totalmente pois aquele não era um cativeiro típico, eu não era alguém de grandes posses para ser visado por sequestradores. A tontura e mal estar que eu sentira mais cedo certamente fora efeito da injeção aplicada à força mas, fosse o que fosse, o comprimido que tomei pareceu curar tudo isso embora eu não soubesse quanto tempo isso tivesse levado.

Comi tudo que me foi servido e então me ocorreu a ridícula possibilidade de que houvesse algo misturado à comida. Ridícula porque eu já estava sequestrado e acabara de acordar de um dopping e, a não ser que eu fosse um rato de laboratório em uma série de testes de entorpecentes, não havia porque me doparem de novo.

Nesse momento a parede na minha frente se abriu e parte deslizou para o lado. Uma porta de correr extremamente bem escondida. O homem que havia aparecido mais cedo entrou.

- O senhor já está recuperado e alimentado. Creio que esteja se fazendo perguntas e não tardaremos a respondê-las. Calce seus sapatos e nos acompanhe, por favor.

2 comentários:

Adao Braga disse...

O texto está em primeira pessoa. Logo o sujeito escapou, não é tão ruim a situação, e ou, é fruto de psicografia.
Mas, a história ficou interesssante e curiosamente boa!

Tinúviel disse...

E vc tem que parar logo na parte boa, só para dar o ar de curiosidade..
Está bem maneiro.

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