quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Homem que Enganou o Diabo - Parte 2

Se não leu a primeira parte, melhor ler antes.



- Exatamente, meu caro, sou a solução para seus problemas, aquele a quem todos evitam.
- Como? Na igreja? Como a maldade pode me fazer bem?
- Sem dramas, por favor... De onde eu vim? Você sabe! E se todos a quem você recorreu me evitam, por que a solução não pode estar exatamente em meus braços?

Ele pensou... Pensou no preço a ser pago, pensou no que precisaria fazer, em sua alma, naqueles que amava, que preço Lúcifer pediria?

- Se preocupa com os que ama, claro, foram eles que te ajudaram quando você estava... Opa! Desculpe-me, esqueci que ninguém veio em seu auxílio.

Havia razão na fala do Demônio e isso era assustador.


- Qual o acordo? - ele perguntou por fim.
- Sirva-me e eu lhe darei as recompensas que espera. Não precisarei lhe pedir muito, você sabe o caminho.

E assim foi feito, um aperto de mão em frente ao altar, um pacto simples de fidelidade entre Satã e um homem menos do que comum.

Em pouco tempo ele percebeu as mudanças em sua vida. Sua palavra parecia lei, suas vontades eram atendidas, sua sedução colocava homens e mulheres em suas mãos. Sua saúde melhorou pelas mãos de Lúcifer, sua riqueza aumentou pelas suas palavras. Tornou-se influente em pequenas e grandes esferas e através dessa influência cumpria sua parte do acordo.

Homens largaram suas famílias, mulheres traíram seus maridos, amizades se desfizeram. Empresas surgiram e faliram, homens foram da riqueza à miséria e ao suicídio, outros foram do anonimato à presidência de países através de suas mãos. Não havia escrúpulos ou pudores, consciência, amor ou tristeza em sua vida. Mas, como dizem, nada é eterno e sua vida um dia se foi.

Ele pensou que com isso sua alma seria do seu novo senhor mas o pacto não estava terminado. O Demônio havia gostado muito de seu servo e então ele voltou. Vida após vida ele voltou, sua consciência permanecia, despertava após nove meses com a mente de um adulto cada vez mais velho. Tinha a eternidade para aprender.

Passava pela infância causando transtornos aos que o cercavam. Quem duvida da inocência de uma criança? E assim seus pais se separavam,outras crianças sofriam, professores pereciam. Podia morrer jovem ou velho, ele sempre voltava com uma vida a mais e todo o aprendizado tomado das décadas anteriores.

E Lúcifer se regojizava. Cada vez mais seu séquito aumentava, aqueles que se entregavam à vaidade através de seu discípulo que vivia vida após vida como se fosse a mesma, cada vez mais ciente da natureza humana, vivendo com a criação divina como nenhum outro já havia vivido, nascendo e morrendo nos diversos cantos do planeta, aprendendo línguas e culturas, Vivia vidas como homem, outras como mulher, não havia sentimento e ele podia dissimular qualquer sentimento, evoluía em seu aprendizado e em seu mimetismo, tornando-se tão ou mais sábio que seu mestre que perdia-se em sua própria vaidade. Continua... (Parte 3)

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