quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Raptado - Parte 2



Sua voz era extremamente monótona e seu rosto totalmente sem expressão com os cabelos colados na cabeça como se tivesse passado gel por horas. Enquanto me calçava percebi outra pessoa entrando e pensei novamente se não estava morto e aquele seria meu quarto na eternidade e, nesse caso, para qual andar eu teria ido. Não estava quente, talvez estivesse na minha vez de ser julgado pelos meus atos em vida. Lembrei de novo da véspera e, a não ser que eu tivesse morrido no carro em que fui raptado, não houve outro momento em que isso pudesse ter acontecido.

Ao levantar a cabeça novamente pensei estar novamente dopado pois outro homem idêntico ao anterior havia entrado no quarto. Clone, gêmeos, não sei, achei que nada mais fazia sentido e não ia conseguir achar muitas explicações dentro da minha cabeça ou de um quarto daqueles. Fizeram sinal para que eu os acompanhasse e me levantei para sair pela porta.

Começamos a andar por um corredor que parecia ser o interior de um submarino embora mais iluminado. Um ia à minha frente e outro me seguia. Logo saímos em um mais largo em que havia outros sujeitos exatamente iguais aos que me acompanhavam.

- Isso certamente não está fazendo muito sentido agora mas logo tudo ficará bem claro para o senhor. Apenas não se assuste e confie. Pode observar bem tudo à sua volta, logo não haverá segredos para o senhor.

Alguns dos homens pareciam trabalhar na operação do local que eu já estava supondo ser um tipo de navio ou espaçonave. O local era bem iluminado e bem limpo e notei também que alguns dos homens pareciam comer pão de queijo. Todos por quem eu passava me olhavam da forma inexpressiva que lhes era característica. Nenhuma palavra era dita por nenhum deles. Chegamos em uma passarela em meio a um vão enorme em que acabei parando para olhar em volta. Parecia como o vão de um shopping enorme com passarelas e corredores em um ambiente extremamente branco e liso com aqueles pontos vestidos de preto andando para todos os lados como formigas atarefadas. Conseguia ouvir o barulho de máquinas trabalhando enquanto os sujeitos empurravam carrinhos com caixas para um lado e para outro, alguns mexendo no que pareciam ser painéis digitais semelhantes a caixas eletrônicos.

- Vamos, aqui não há respostas.

Me assustei com a frase e segui caminho seguindo o homem. Entramos novamente em um dos corredores largos e subitamente ele parou virando-se de lado e tocando a parede que se abriu como em uma porta idêntica à do meu quarto. Entramos em uma grande sala com uma mesa, uma cadeira e outro homem de preto de costas. Tudo era bem branco, exceto pela roupa deles. Ele se virou e notei que era outro clone que comia um prato de pão de queijo.

Um comentário:

Tinúviel disse...

Logo pensei: ET.
Cadê a continuação? Eu queeeeeeero!

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