sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Despertar

A terra tremeu de uma maneira estranha naquela manhã. Mesmo que aquela fosse uma região de terremotos, havia algo diferente dessa vez pois não foi um tremor contínuo, as poucas pessoas acordadas mal tiveram tempo de confundí-lo, parecia mais com uma pancada. Outras se seguiram, parecendo explosões cada vez mais intensas. Pensamentos diversos vieram, de bombardeios a implosões, mas nada explicava aquele estrondo cada vez maior. Janelas de prédios e carros começaram a rachar, outras explodiram, o pânico começou a tomar conta de quem estava sob a chuva de vidro.

O caos era maior numa rua movimentada do centro da cidade, ali algumas pessoas viam a explicação para os tremores mesmo que ela parecesse irreal a seus olhos.
O asfalto se rompia e uma criatura surgia levantando escombros e veículos em volta. Chifres, uma cabeça duas vezes maior que um ônibus, olhos amarelos que pareciam despertar, pupilas se contraindo com a claridade do dia. O monstro surgia, a rua e calçadas desapareciam em escombros, um longo pescoço coberto por escamas sustentava cabeça que naquele momento se erguia a mais de vinte metros de altura. A boca enorme se abriu num bocejo acompanhado de um ruido aterroizante e abafado. O corpo enorme surgia da cratera que engolia veículos conforme se abria.



Gritos, canos d'água se rompendo e correria acompanhavam o despertar do dragão que surgia no meio da poeira. Policiais atônitos não sabiam se atacavam o monstro, sabiam que suas armas certamente só o irritariam, se tanto, o que poderia causar algo pior. A notícia já se espalhava pelas emissoras e pela internet enquanto a criatura se mostrava calma olhando ao redor e se desvencilhando do resto da rua que ainda prendia seu corpo. Derrubou postes causando curto-circuitos que não fizeram nada à couraça. Usou as garras para erguer-se do buraco e mostrou toda sua grandiosidade ao abrí-las e revelar as asas espreguiçando-se, destruindo paredes dos edifícios mais próximos.

Olhou em volta com preguiça, não havia pessoas próximas o suficiente, algumas câmeras filmavam-no à distância. Sobre sua cabeça um ruído chamou a atenção e ele se voltou para helicópteros que transmitiam sua imagem para emissoras de TV e internet. O mundo já assistia àquilo incrédulo. Carros do exército já cercavam a região, helicópteros armados se aproximavam e o helicóptero da polícia dizia para os civis ficarem afastados. O ruído e o vento das máquinas parecia começar a incomodar o monstro que olhava com curiosidade.

A tensão em quem assistia aumentou conforme as asas e cabeça se agitavam com o vento e barulho das hélices. Um pequeno rugido e logo um grande grito cujo deslocamento de ar foi capaz de tirar o controle das aeronaves menores. Um soldado mais assustado do que devia abriu fogo, logo outros o seguiram apesar das ordens dos superiores. O helicóptero do exército usou suas metralhadoras, um alvo daquele tamanho era impossível de ser errado, tiros vinham de todas as direções e as balas se chocavam contra a carcaça do animal que permanecia intacta. Um míssil foi disparado contra sua cabeça, a explosão provocou apenas a fúria da besta que dessa vez não só gritou como cuspiu uma chama que envolveu todas as aeronaves e boa parte dos prédios em volta.

Em seguida suas asas se agitaram furiosamente fazendo com que veículos e pessoas mais próximas voassem e mais prédios fossem atingidos. A cauda gigantesca agitou-se com fúria completando a destruição casual e ajudando a decolagem do dragão que subiu com uma leveza inesperada para seu tamanho e desapareceu da vista de todos que assistiram seu despertar.

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