domingo, 24 de março de 2013

Música de Guerra

A batalha arrastava-se por algumas horas. No começo os defensores de armadura prateada se saíram bem mas a vantagem numérica do exército atacante começou a fazer diferença. O brilho dourado das armaduras invasoras começava a tomar conta do vale à frente do castelo conforme a noite caia, os flancos começavam a enfraquecer e até os arqueiros tinham poucas flechas para defender as amuradas. Mas o rei possuia um trunfo.

Do alto da muralha surgiu um homem vestido de preto. Não usava armadura e apenas o objeto em suas mãos se ligava ao prateado do exército ao qual pertencia. Uma guitarra prateada era a única arma que portava. Não foi visto por nenhum dos que lutavam abaixo mas isso não importava. Começou a tocar de maneira suave e o som que tirava das cordas foi se espalhando pelo vale fazendo com que os exércitos parassem a luta. Pouco a pouco os soldados foram parando de brandir espadas, maças e machados e deixando os braços cairam ao lado do corpo como se estivessem hipnotizados.

Aos poucos a música tornou-se mais alta, forte e agitada. Nesse momento ocorreram espasmos em alguns soldados invasores. A música prosseguia e golpes pareciam atingir as armaduras douradas, seus guerreiros se contorciam e caiam no chão enquanto a terra tremia sob seus pés. A violência das notas causava rachaduras nas armaduras e dor nos homens que eram agora incapazes de se erguer. Os mais fracos começavam a morrer e logo todo o exército dourado sucumbia à força da música tirada da guitarra prateada do alto da muralha. Alguns pareciam derreter dentro de suas armaduras, outros explodiam com elas.

As notas finais soaram como uma despedida aos últimos soldados enquanto seu sangue escorria pela terra machucada pela batalha.

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