quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Unbound

Acordei ainda meio atordoado e me vi com as mãos amarradas, junto a três outros homens em uma carroça. Todos estavam amarrados e um deles também amordaçado. Sentia minha cabeça doendo, provavelmente consequência da minha prisão, da qual eu não lembrava o motivo. Ouvi a conversa dos outros dois, um dizia que fora preso ao tentar deixar a província, era um ladrão, o outro era um dos rebeldes de Ulfric, que era o homem amordaçado ao meu lado. Éramos prisioneiros do Império, nos levavam a Helgen para nossa execução.



Ao chegarmos fomos vaiados pela população que era contra a revolta de Ulfric, embora alguns de nós sequer fôssemos seus partidários. A memória me voltava e lembrei da guerra civil que acontecia pela independência da província, iniciada por Ulfric Stormcloak. O General Tulius, representante do Império na província estava presente para garantir a execução do líder rebelde. Segundo ele o rebelde vinha amordaçado pois sua voz era capaz de matar, o que ele fez com o Alto Rei Torygg quando sua rebelião começou. Um dos homens que vinha comigo na carroça se apavorou, ele orava para todos os deuses conhecidos com a voz trêmula, tentou fugir e foi abatido a flechadas por um dos guardas. Assistimos a execução de um dos prisioneiros que caminhou firme para a morte pelo machado do carrasco. Sua cabeça rolou aos pés de um soldado insensível. Mal retiraram seu corpo e me disseram que eu era o próximo. Me encaminhei para a posição, ajoelhando e apoiando meu pescoço sobre o suporte para ser executado sem saber porque.

Um estrondo soou ao longe, não parecia um trovão mas pouco chamou a atenção dos guardas. Virei a cabeça para o lado olhando o carrasco e uma pequena torre,  que seriam minhas últimas visões em vida, algo simples e banal, não fosse a sombra escura que surgiu em seguida pousando sobre a torre diante do grito horrorizado dos guardas.

O dragão olhou para a cena pouco antes de iniciar um ataque indiscriminado contra a cidade. Me levantei e me pus a correr como podia, minhas mãos ainda estavam atadas o que dificultava minha movimentação. O coração já estava acelerado pelo medo do machado, agora era o medo do fogo cuspido com violência pelo monstro alado em todas as direções. Corri para uma das torres onde encontrei Ulfric e Ralof, o outro homem que vinha preso comigo. Tentei alcançar o topo da torre com Ralof mas o dragão atacou e tive que pular por uma janela. Estava usando apenas trapos nos pés e a queda foi dolorosa. Eu corria sentindo o fôlego falhar e os pés doerem enquanto destruição e morte me cercavam. O dragão atacava a tudo e todos impiedosamente, transformando soldados em pedaços queimados de carne enquanto destruía casas e muros com suas garras e asas. Eu desviava do fogo e dos destroços quando um guarda me viu disse para segui-lo o que fiz diante da falta de alternativas. Nos encaminhávamos para os porões de Helgen quando encontramos com Ralof. Ele e o soldado, chamado Hadvar trocaram algumas ofensas, pareciam se conhecer. Segui com Hadvar para o forte da cidade.


Ao entrarmos nos deparamos com um rebelde morto, Hadvar desatou minhas mãos e tomei a armadura do soldado, ele não precisaria mais dela. Fomos atacados por soldados imperiais e após matá-los conseguimos as chaves para o subsolo de onde poderíamos fugir. Passamos por uma câmara de tortura e celas vazias de onde consegui algum dinheiro e um livro de magia. Descendo mais chegamos a uma caverna onde mais soldados nos atacaram. Conseguimos eliminá-los e seguimos em frente. Notei que a caverna era repleta de teias de aranhas, uma quantidade absurda para ter sido feita por aranhas normais. Logo essa dúvida foi sanada pois aranhas maiores do que cachorros nos atacaram. Lutei desviando de suas presas e das teias que cuspiam, elas tentavam nos cercar, mas nossas espadas penetraram em suas carapaças nos livrando deste obstáculo. Já podíamos ver a luz da saída quando notamos um grande urso deitado em nosso caminho. Eu suava e ofegava, sentia meu coração acelerado e tive medo que meu medo atraísse o animal. Nos esgueiramos com cuidado, sem tirar os olhos da fera, com armas em punho, os pés se moviam devagar e leves para não fazer ruídos, em algum tempo passamos por ele sem sermos percebidos.

Em mais alguns passos conseguimos sair da caverna deixando Helgen destruída para trás. Ainda pudemos ver o dragão voando em direção ao norte, justamente para onde Hadvar pretendia me levar, para a vila de Riverwood onde seus tios moravam.


(Inspirado em "The Elder Scrolls V: Skyrim)

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