quarta-feira, 9 de abril de 2008

Prostituição e uma confissão

Um post no Blogue da Magui me deu vontade de escrever sobre um assunto e uma experiência que tive. Não se animem, não é nenhuma confissão bombástica.

No texto ela fala que resolveu retirar os comentários do HaloScan por estes terem colocado propaganda de prostituição nas suas caixas e comenta como esse tipo de... humm... trabalho, é triste e degradante.

Eu concordo e acho no mínimo curioso que existam entidades de defesa das prostitutas. É claro que elas precisam se unir de alguma forma, se defender de um mundo que as trata como escória mas usa seus seriços quando lhe convém. Mas talvez a luta devesse ser por outro lado, inserir essas profissionais em outra forma de trabalho, não sei. Acho que a maioria dessas profissionais entram nessa pela necessidade mas tem muitas que entram pela ambição.

Lembro de uma matéria no "Repórter por um Dia" no Fantástico em que uma atriz, acho que a Arlete Sales, que ia interpretar uma prostituta, visitava a famosa Vila Mimosa no Rio de Janeiro para entrevistar as moças do local. Para quem não sabe a VM é a zona de baixíssimo meretrício da cidade, há uns anos se dizia que lá se cobrava o mico, ou seja, 20 reais. Uma das meninas estava lá no seu primeiro dia e via-se o nervosismo dela pela situação. Achei aquilo muito triste, fiquei pensando no que passava pela cabeça da garota que não devia ter 20 anos. Essa estava lá por necessidade.

Mas o que dizer das que adotam o discurso "se eu faço de graça, por que não ganhar uma grana?" ou das que casam e mesmo assim continuam "na função" pois seus maridos não têm como manter o padrão de vida que elas tinham antes. Afinal, ganhar 3, 4 mil reais por mês não é fácil e olha que isso é pouco pra algumas. Muitas fazem caras faculdades particulares, são de boas famílias, trabalham, mas trabalham com isso para ter mais e mais. Sem falar nas disfarçadas, que casam, saem ou engravidam de homens poderosos, ricos, famosos para assim garantir seu futuro. Lembrei agora de um anúncio de teste de paternidade que vi uma vez no metrô que tratava o resultado positivo como acertar na loteria. Alardeava a quantidade de resultados positivos e ainda falava em abrir champanhe para comemorar.

Quem leu até aqui (ou pulou o texto catando a parte interessante) vai saber agora da minha confissão. Não, eu nunca saí com garota de programa, prostituta, "mulher de vida fácil" ou qualquer sinônimo que se dê. Tive poucas mulheres até hoje se comparar com a maioria dos homens da minha idade/cidade mas todas foram porque quiseram e não porque paguei, enganei ou coisa do tipo. O mais perto que cheguei disso foi quando estava em Porto Alegre e tive curiosidade de ir a uma casa de strip, nunca tinha ido. Pedi indicação mas acabei caindo numa casa de prostituição mesmo, sem eufemismos. Tinha strip mas nada profissional. Vamos às minhas impressões (sem eufemismos, eu pego meio pesado)...

Primeira coisa triste, o garçon me arruma uma mesa para um mas coloca outra cadeira ao meu lado para que alguma garota se sentasse. Putz... Fiquei observando e vi as meninas de lá para cá, olhando os homens do local, se oferecendo, todas enfileiradas lado a lado como que expostas numa vitrine, mercado, açougue, procurando alguém que as quisesse comer e pagar por isso. Algumas faziam os strips e aí tem outra observação bizarra: vinha uma e tirava a roupa se esfregando naquele ferro, depois vinha outra esfregar a bunda, e outra, mais uma... e ninguém limpava aquele treco!!

Lembro de uma baixinha, com jeito de menina que estava vestida de maneira mais comportada. Parece não ter dado resultado e ela reapareceu com uma roupa mais ousada. Apenas uma moça se sentou na minha mesa, conversou um pouco cometendo alguns erros de português que me doeram na alma. A mão na minha perna, cheia de charme, falei logo que estava lá só para me distrair, não procurava companhia. Ela também falou que só queria me dar um alô e levantou pouco depois, provavelmente espalhou para as outras que eu não estava afim de abrir o bolso.

Conversei com outras duas - gosto de conversar, não adianta - uma era secretária em escritório de advocacia e outra era de uma cidade do interior que me disse que cobrava pela cara do cliente mas nem perguntei quanto seria pra mim. Eram bonitas, fora dali eu puxaria assunto sem nem saber de nada, mas não pagaria para sair com elas. Eu via umas subindo com um cara e depois desciam procurando outro, tem que ter vários pra valer a pena, turn and earn já dizia meu professor de economia na faculdade.

No fim achei realmente aquilo tudo muito triste, as garotas se oferecendo para ganhar uma grana a mais e não para sobreviver. E acho realmente nojento os caras irem lá atrás disso e tem homem de tudo quanto é tipo. Perto de onde moro tem uma casa dessas, passo em frente e vejo os carros, os caras saindo, todos com grana, cara de pais de família.

Bom, é isso, triste mas é verdade. Parece que a profissão mais antiga do mundo está longe de acabar.

Um comentário:

Andréia disse...

acho que deveria ser criado alguma entidade com o objetivo de tirar essas mulheres da rua... aos meus olhos está longe de se ruma vida facil... tem que ser muito corajosa pra fazer isso.. jogar o seu valor a baixo de zero (para não dizer soterrado), ser distração de homem instisfeito, tarado, ou q qr se vingar da mulher...

imagino que elas tem outros talentos...

beijossss

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