quinta-feira, 17 de julho de 2014

O Parque - parte 2

Até os onze anos eu era uma criança bem medrosa, daquelas de esconder a cara em filmes de terror e correr pra cama dos pais, ou da minha avó depois dela contar histórias de fantasmas ou de pessoas que estiveram em contato com o próprio Demônio. Sim, histórias de gente que conversou com Lúcifer, o Senhor das Moscas, Satanás, Belzebu ou sei lá que nome ele tenha. Eu era assustado e via monstros em sombras, me enfiava debaixo das cobertas, rezava. Então é curioso que poucos anos depois disso eu não tenha corrido ao ver um vestido branco sob cabelos compridos emanando uma luz estranha enquanto parecia flutuar sobre as plantas e folhas caídas no local. Eu nunca chegaria tão perto de um fantasma.

O fantasma me chamou com voz suave dizendo para que não tivesse medo e, não sei hoje até como, eu não tinha medo e me aproximei. Ele se virou para mim e vi um rosto feminino delicado, quase infantil, quase tão branco quanto o vestido. Antes que eu começasse a falar ela perguntou se eu ia sempre ao parque.

- Sim, mas nunca durante a noite. O parque só abre de dia.
- Eu sei, por isso só venho aqui a essas horas.
- E quem é você?
- Não sou um fantasma como você deve estar pensando. Não sou o espírito de uma menina que foi assassinada e sempre volta ao local onde seu corpo foi enterrado.
- Mas eu não pensei isso…
- Mas é algo em que vocês acreditam.
- Em fantasmas? Sim, muitos acreditam em fantasmas, duendes, fadas.
- E você acredita em que?
- Eu já tive muito medo de fantasmas, demônios mas acho que isso já passou.
- Pelo que eu vejo sim, até agora você não correu de mim.
- E quem é você? Ainda não disse.

Ela foi andando sem me responder, se embrenhando no meio das plantas e eu fui seguindo, sem jeito. Ela parecia não tocar as árvores, os galhos, não passava através deles mas eles pareciam abrir-se para sua passagem. Eu ia atrás desajeitado, tentando não fazer barulho como se aquilo fizesse diferença agora ou porque pensei que algum guarda poderia me encontrar. Tentava falar mas ela me ignorava exceto por alguns olhares sobre o ombro como se quisesse certirficar-se de que eu a seguia.

Chegamos a um caminho um tanto mais aberto mas ainda coberto por plantas vivas e mortas, a luz que ela emanava iluminava o caminho e eu me perguntava se ninguém a tinha visto antes. Por este caminho chegamos ao lago dos patos com sua queda d’água um tanto artificial. Quase totalmente obstruída por folhas e galhos, apenas um filete descia mantendo o lago vivo. Parece que nossa chegada acordou os patos que se puseram a nadar tentando se aproximar, algo incomum pois seu comportamento era fugir de pessoas. Concluí que eles só podiam estar tentando se aproximar dela enquanto atravessávamos uma passagem escorregadia sobre o lago maior.

Ela parou e virou-se para cima, olhando em direção à nascente da água e agitou um dos pés na poça d’água que um dia havia sido uma espécie de piscina natural. Eu andava com medo de escorregar nas pedras úmidas e ela parecia nem tocá-las dada a leveza com que andava. Descendo as escadas ela era seguida pelos olhos dos patos que pareciam aguardar alguém que os alimentava. Sua movimentação era tão suave que pensei sobre o fantasma da menina morta mas não creio que fantasmas atraiam animais daquela forma. Ao pensar nos animais eu comecei a ouvir mais pássaros e movimentação nas árvores em volta, como se a fauna local houvesse sido acordada.

Chegando finalmente à beira do lago ela foi cercada por todos os patos como se fossem todos filhotes tentando se aconchegar no colo da mãe.

- Pobrezinhos… Eles não ficarão aqui por muito tempo.
- Por que?
- É o que eu vejo, de alguma forma eles não estarão mais aqui quando eu o vir de novo.
- Quando me vir?
- Sim.
- Como sabe que nos veremos de novo?

Mais uma vez ela não respondeu. Eu odeio ficar sem resposta para minhas perguntas mas não me irritava com aquilo. Ela se voltou e caminhou sobre as folhas caídas. Nesse momento notei que seus pés pareciam realmente não tocá-las pois elas não se amassavam sob seu peso, aquilo não fazia sentido. Pude ver seu rosto melhor, olhos que pareciam ter três cores, pele suavizada pela sua cor pálida, um nariz pequeno, lábios grossos e sensuais para um rosto quase infantil.

- Você é um fantasma!
- Não, não sou.
- Como você passa pelas coisas sem tocá-las?
- Eu não preciso tocar em nada para mostrar que eu existo.

Ao dizer isso ela se aproximou de mim e tocou meu rosto. Esperei um toque frio mas sua mão era quente e então eu notei que já não sentia mais frio. Apenas um toque e foi possível que eu sentisse o conforto da cama mais macia que eu jamais viria a deitar, o calor perfeito vindo do toque de uma mãe ao amamentar um bebê. Meus olhos míopes foram capazes de ver formas, cores e detalhes impossíveis naquela escuridão. Podia sentir cada célula do meu corpo respirar, cada vaso sanguíneo ser percorrido com o toque de veludo do meu sangue. Me senti nu, desprotegido e armado da mais forte das armaduras. Meus olhos fechavam e eu via as cores de um lugar onde eu não estava, não sentia mais meu peso como se não houvesse mais gravidade, flutuave levemente sobre as folhas. Olhei para baixo e ainda estava no chão, olhei para ela e vi a luz de seu rosto, vi o mundo em seus olhos multicoloridos. Me senti feliz e seguro num local desconhecido e selvagem. Eu não estava mais no parque, estava longe de casa e não tinha medo por isso. Havia uma música que nunca havia sido tocada, havia pessoas que não existiam como se eu sentisse a energia vital e alegria de viver de toda a raça humana.

No momento seguinte estava em minha cama, acordando para ir ao colégio. Um sonho incrível e tão real que eu sou capaz até hoje, quase vinte anos depois, de lembrar de tantos detalhes. Por anos não tive mais problema de sono, teria sido um sono além de incrível, medicinal, pois praticamente me curou da insônia, passei a ser capaz de dormir como quem desliga um interruptor.

Teria sido um sonho incrível se, ao me arrumar para o colégio, eu não encontrasse meu tênis sujo de folhas e terra.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O Parque



Esse caso me aconteceu há uns meses, ou anos, e resolvi escrevê-la antes que ficasse maluco. Embora eu ache que assim que ela for lida eu serei dado como louco ou alguém que andou viajando pro Uruguai ou Holanda mas juro que não é o caso - bom, pelo menos não esse tipo de viagem.

Perto de onde moro, de onde morava também, existe um parque bem antigo. Antigamente este parque era uma casa, aliás uma baita casa, onde uma família do século XIX pelo menos viveu com seus escravos. Sim, é uma casa da época em que havia escravidão no Brasil e hoje é um parque onde famílias vão nos finais de semana para fazer piquenique.

Eu frequento este parque desde que era criança, embora não more por perto há tanto tempo, mas como estudei por ali e minha avó morava perto, era um lugar que ia com a turma do colégio ou com a família para brincar. Quando me mudei para a casa da minha avó, já falecida, voltei a frequentá-lo, já na minha adolescência. Nessa época o parque andava bem largado, quase não recebia visitantes, a manutenção era muito precária com árvores crescendo em qualquer lugar que as sementes caíssem. Mesmo assim eu ainda ia lá para ficar sozinho, pensar na vida, ouvir o silêncio das árvores.

Nessa época eu tinha alguns problemas que me perseguem até hoje e outros dos quais já me livrei, um destes era a insônia. Eu deitava para dormir e sempre levava horas até pegar no sono ou acordava de madrugada e levava horas para dormir de novo ou sequer dormia. Ficava rolando na cama, tentava ler, estudava, ia ver TV, nada adiantava. Algumas vezes desistia e ia dar uma volta, já com o Sol nascendo. Foi num dia desses em que essas duas peças da minha vida se encaixaram.

Acordei de madrugada e o sono não vinha mais. Rola pra um lado, pra outro, nada. Resolvi sair de casa com o céu ainda escuro, não devia ser nem quatro horas da manhã. Saí devagar para não acordar ninguém, a cachorra que eu tinha na época não fez barulho e fui andar pela rua. Me ocorreu a ideia de ir até o parque, que estava fechado àquela hora, é claro, mas eu sabia que poderia entrar pois o muro é baixo o suficiente para que qualquer um com mais de dez anos, ou até menos, pule. E foi o que fiz.

Ruas vazias, poucos carros passando, ninguém em volta, eu pulei o muro. Vale dizer aqui que eu sempre fui um cara muito medroso para violar regras, invadir um parque inclusive, mas acho que a insônia havia suplantado minha sanidade. Entrei com cuidado e fui andando pelos caminhos que eu conhecia mas conforme eu me afastava da rua e da iluminação pública o parque ia ficando incrivelmente sombrio. Meus medos de infância foram surgindo a cada vento que tocava as folhas que eu via mais claramente conforme meus olhos se acostumavam à escuridão. Não sabia se os arrepios que eu sentia eram fruto do medo ou do frio da madrugada misturado ao ar fresco do parque. Mas eu fui entrando e podia ver a iluminação do casarão de um lado e as luzes da rua de outro, o que me dava certo senso de direção.

Conforme me embrenhava eu ia redescobrindo o parque, outros sons, outras formas, eu pisava cada vez mais leve e parava de vez em quando para poder ouvir melhor e evitar ser pego por algum guarda que circulasse à noite (algo que nunca aconteceu, acho que tal tipo de ronda não existe lá). Eu ia pensando “vou até o coreto” e quando chegava lá pensava “vou até o aquário” e quando chegava no aquário, “vou até o parquinho” e quando já estava no parquinho “já vim até aqui, vou subir até o lago”. E lá eu ia, de uma forma que nunca havia pensado fazer, fui me aventurando pela escuridão do parque com suas plantas, árvores, folhas voando com a brisa, sons de animais e uma ou outra cobra imaginária.

Em determinado momento não podia mais ver luzes do casarão, da rua ou do prédio ao lado, a escuridão era quase total mas ainda era possível ver muita coisa e percebia a clareira onde fica o pequeno lago onde alguns patos viviam. Uma luz fraca revelava que o local estava coberto por folhas, obra do descaso com que o parque era cuidado naquela época. Fiquei observando como o vento as moviam quando notei uma claridade vindo por entre as árvores à minha direita. Este lado do caminho é uma subida um tanto íngreme, com uma vegetação mais fechada mas foi possível ver a luz pálida por entre as folhas, numa intensidade e cor que descartavam as possibilidades de ser uma casa ou lanterna de algum outro aventureiro. Não havia casas naquele local, nenhuma invasão e não havia como alguém acampar ali. A curiosidade me fez subir buscando espaços por entre as plantas em meio a troncos caídos e galhos com espinhos.

Lembrando agora eu devia parecer um desses mosquitos que são atraídos por uma lâmpada e morrem eletrocutados numa armadilha, se eu tivesse esta visão naquele momento talvez eu retornasse mas provavelmente eu estava capturado pela luz. Observava pequenos movimentos que me deixavam na dúvida se eram causados por uma movimentação da fonte de luz, das plantas ou minha. Cheguei perto o suficente para observar a forma da qual emanava aquela luz e acho que a partir daqui vocês me acharão louco.

sábado, 28 de junho de 2014

Veio a calhar

Frase que vem bem a calhar com esse post que fiz recentemente.



PS: Como muito do que vemos na internet não dá pra ter certeza se a frase é de Kant mas os lugares onde procurei creditavam a ele. De qualquer jeito é muito boa.

sábado, 21 de junho de 2014

Sou contra - Sou a favor

Sou contra pena de morte
Sou a favor das cotas raciais em universidades
Sou a favor da Lei Seca no trânsito
Sou contra testes científicos em animais mas não vejo outro jeito
Sou absolutamente contra testes científicos em presos
Sou a favor de que presos tenham que trabalhar
Sou contra cotas raciais em concursos públicos
Sou a favor do aborto
Sou a favor do Bolsa Família
Sou a favor do casamento gay
Não sei se sou contra ou a favor de legalização das drogas

Minhas opiniões não são imutáveis. Algumas já mudaram, outras não mudarão.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Wyldwood Radio

Só pra tirar as teias de aranha, vou compartilhar essa rádio que encontrei pela internet, bem diferente do que toca por aí com música celta, tribal, medieval ou, como eles preferem, pagã. Vale a pena ouvir de manhã, de noite, antes de dormir, quase música ambiente, muito boa.

Wyldwood Radio

segunda-feira, 31 de março de 2014

A Corrida da Noite

Jonas saiu para mais algumas horas rodando em seu táxi. Quer dizer, não era seu táxi, o fato de ser motorista auxiliar só deixava as coisas mais desagradáveis além do fato de ter que trabalhar durante a madrugada. Não gostava daquilo, não gostava de trabalhar, por vezes encostava o carro e dormia mas em uma dessas foi assaltado, perdeu toda a féria e ficou devendo ao dono do carro. Desde então achou um jeito de deixar as coisas mais interessantes para ele e adquiriu um segundo taxímetro.








terça-feira, 11 de março de 2014

Em Nome do Padre

O padre Benett levantou-se no mesmo horário de sempre, pouco antes do Sol raiar nesta época fria do ano. Sua idade já mostrava as dificuldades para alguns movimentos mas ainda tinha vigor para exercer seu sacerdócio e ajudar os necessitados da região. Era querido por eles, pelos fiéis e pela vizinhança, um senhor amigável com todos mesmo que nem sempre sorridente.

As articulações estalavam conforme se movimentava “coisa de velho” ele dizia, agravada pelo frio e pelo corpo pouco aquecido, ao longo do dia essa trilha sonora cessaria. Após suas orações preparou o café da manhã para dois como fazia nos últimos meses embora morasse sozinho. Comeu sua parte, embrulhou o restante e colocou em uma sacola. Mudou sua roupa e viu os primeiros raios de Sol entrando pela janela. Agradeceu ao Senhor pela oportunidade de vê-los mais uma vez e saiu de sua paróquia com a refeição extra nas mãos.

Caminhava devagar pensando no homem que vivia na rua a algumas quadras de distância que se apresentara apenas como João. Ele havia surgido por ali há meses e por mais que o padre insistisse, preferia morar na rua do que em um abrigo, sentia-se mais livre assim. Nunca contava sua história, aparentava ter idade para ser filho de Benett. Vivia da caridade das pessoas como qualquer morador de rua, e recebia a visita do padre que lhe trazia a primeira refeição todos os dias. Era mais uma das boas ações do sacerdote e o fazia caminhar pela manhã.

O vento frio incomodava e mexia os ralos cabelos do padre quando ele chegou ao beco em que João costumava dormir. Ficou surpre-so por não vê-lo entre seus trapos e passou a chamá-lo. Não havia resposta, ele olhava em volta a procura de algum movimento, nada. A sombra metros acima de sua cabeça não havia chamado sua atenção até que ouviu o bater das asas de um pombo. À primeira vista não entendeu o que era aquilo, como se seu cérebro tentasse identificar uma imagem nova. Havia trapos presos à parede, dispostos em uma forma pouco usual - como se fosse usual haver trapos presos à parede. Tomavam a forma de um grande pássaro, com o corpo e asas mas no meio dos trapos os olhos cansados do padre Benett começaram a identificar uma forma mais comum, mas aquilo não tinha nada de comum. Pernas, tronco, braços, dispostos da forma mais comum aos olhos de um padre, um homem seminu pendia entre os trapos com os braços abertos e a cabeça tombada. A incredulidade do que via impediam o padre de entender o que estava diante de seus olhos. Preso à parede a pouco mais de três metros de altura, João estava crucificado na parede.

O grito não saiu de sua boca, o fôlego falhou, o coração acelerou, apenas repetia em sua mente que João estava crucificado mas essa distorção dos evangelhos não era assimilada pelo seu inconsciente, uma luta se travava entre o que ele via e o que seu cérebro assimilava. Uma eternidade se passou até que ele conseguisse se mover e gritar por ajuda. Algumas pessoas já circulavam pela rua e viram o padre assustado, correram para ajudá-lo e a visão do homem pregado à parede chocava a todos. Fotógrafos, bombeiros, ambulância, polícia chegaram ao local, retiraram o homem mas não havia o que ser feito. O sangue que se esvaíra de seu corpo já havia coagulado, seu corpo estava rígido e frio, a morte pode ter vindo de forma lenta com as dores e o frio da madrugada.

Era apenas um morador de rua, talvez sua morte não tivesse mais repercussão do que uma nota de jornal mas a forma com que o mataram ganhou manchetes, pelo menos dos tablóides mais baratos, os jornais mais tradicionais foram reservados em estampar a imagem de um homem crucificado em suas páginas. Em outros a imagem ganhou a capa e foi exposta em bancas de jornal da cidade. Mesmo em outros países a imagem circulou, deixando alguns incrédulos de sua veracidade.

Em sua homilia dominical daquela semana, padre Benett, ainda chocado, falou sobre os horrores que viu, emocionado, citou os horrores do mundo, alertou para o caminho que a humanidade percorria até sua perdição, sua derrocada. Sua igreja estava cheia como há muito não via, algumas pessoas que se distanciaram provavelmente enxergaram um sinal naquela morte e voltaram às orações. Em alguns dias ou semanas aquilo seria esquecido, o padre já não tinha muita fé de que as pessoas voltassem a Deus e pensar que a crucificação de um morador de rua pudesse fazer isso o deixavam em enorme conflito com sua consciência.

Algumas semanas se passaram e apesar da blasfêmia e de alguns gritos indignados as investigações sobre o assassinato não evoluíram, por mais bizarro que ele fosse, pouca energia foi gasta para fazer justiça a um mendigo. Teria sido uma história para se perder no tempo se, numa repetição mórbida, ela não houvesse se repetido exatamente vinte e oito dias depois.

Quatro semanas e quatrocentos quilômetros de distância separaram a morte de João, o mendigo, de Mateus, o estudante. O jovem havia saído para uma festa com amigos, se separou deles a caminho de casa mas não chegou. Seus pais acionaram a polícia que só encontrou o corpo seminu do rapaz disposto em cruz, pendurado junto com suas roupas nas paredes de um prédio longe do caminho que ele percorreria na noite anterior.

Dessa vez as especulações sobre o assassinato passaram de “uma brincadeira de mau gosto” para “serial killer”, “seita satânica” ou “ira divina”. Podia ser o mesmo assassino pois o intervalo de tempo permitia com sobra o deslocamento e planejamento. A escolha das vítimas podia ser aleatória, apenas alguém que estivesse ao alcance. Trabalhou-se com a possibilidade de um grupo espalhado pelo país ou um assassino inspirado por outro. Já se especulava a data da próxima morte, vinte e oito dias em contagem regressiva e se a próxima vítima também teria nome de apóstolo e qual seria.

As apostas mais loucas pareciam certas pois vinte e oito dias depois, a quatrocentos quilômetros de ambas as mortes anteriores, Tiago foi crucificado.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Unbound

Acordei ainda meio atordoado e me vi com as mãos amarradas, junto a três outros homens em uma carroça. Todos estavam amarrados e um deles também amordaçado. Sentia minha cabeça doendo, provavelmente consequência da minha prisão, da qual eu não lembrava o motivo. Ouvi a conversa dos outros dois, um dizia que fora preso ao tentar deixar a província, era um ladrão, o outro era um dos rebeldes de Ulfric, que era o homem amordaçado ao meu lado. Éramos prisioneiros do Império, nos levavam a Helgen para nossa execução.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Duelo



Eu parei para atravessar a rua. Era uma rua larga, com quatro faixas, duas para cada lado. Parei diante da faixa de pedestres, o sinal ainda vermelho para mim demoraria para abrir. Do outro lado um cara mais novo, exatamente em posição oposta a minha se posicionava praticamente ao mesmo tempo. Olhei em seus olhos e ele pareceu não perceber, assumiu uma posição entre distraída e ameaçadora cruzando os braços. Ambos os lados da calçada estavam cheios, não haveria muito para onde correr, nossos caminhos se encontrariam diante da mira dos carros, loucos para pegar um desavisado que demorasse demais a cruzar aquela faixa cinza da morte e deixar seus restos mortais colorindo o asfalto de vermelho.

sábado, 12 de outubro de 2013

Red Dead Redemption - Far Away

Quando eu li pela primeira vez que videogames deviam ser tratados como arte eu nem jogava ainda mas não discordei. Mesmo sem jogar eu lia sobre e ouvia falar. Vejamos, que forma de artes consagradas nós temos? Literatura, pintura, fotografia, música, cinema? Videogames possuem histórias excelentes, bem contadas e muitas vezes complexas, alguns deles renderam livros. Os cenários dos jogos não diferem de pinturas e muitas vezes fotografias. Alguns mostram lugares reais e históricos, outros criam mundos de fantasia e ficção científica tais quais vemos no cinema, que é basicamente uma mistura de literatura, fotografia e música.

E aí o blá blá blá chega ao fim e mostro o vídeo que motivou o post. O jogo Red Dead Redemption conta a história de um ex-bandido obrigado pela polícia a capturar seus antigos parceiros em troca da liberdade de sua família. Isso já renderia um clássico filme de faroeste! A história se passa na fronteira dos EUA com o México por volta de 1911. Na primeira vez em que o personagem se aproxima desta fronteira o volume do som ambiente abaixa e a música "Far Away" de José Gonzalez toca inteira. Vejam no clipe se não é algo digno de arte.


Far Away - José Gonzalez

Step in front of a runaway train just to feel alive again.
Pushing forward through the night, aching chest,blurry sight .
It's so far, so far away.
It's so far, so far away.
Cold wind blows into the skin.
Can't believe the state you're in.
It's so far, so far away.
It's so far, so far away.
Who are you trying to? impress, steadily creating a mess?
Step in front of a runaway train, just to feel alive again.
Pushing forward through the night, aching just blow aside.
Aching just to blow aside, aching just to blow aside...
Step in front of a runaway train, just to feel alive again.
Pushing forward through the night, aching just blow aside.
Aching just to blow aside, aching just to blow aside...

Em tempo, Red Dead Redemption era meu jogo preferido até eu descobrir The Elder Scrolls V: Skyrim. Falarei dele depois.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Grandes verdades ditas por grandes filhos da puta.

"A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística." (Joseph Stalin, ditador soviético, responsável pela morte de aproximadamente 7,5 milhões de pessoas na URSS)

"Uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade" (Joseph Goebels, ministro da propaganda de Hitler)

"O preço da justiça está no canhoto do meu talão de cheque" (Sergio Naya, deputado e engenheiro responsável pela morte de oito pessoas na queda do edifício Palace II no Rio de Janeiro em 1998)

"O problema não é a opinião pública e sim a opinião publicada" (Paulo Maluf)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Porque Sou a Favor de Cotas Raciais

Dizem que em blog é preciso timing e acho que perdi um pouco ao não falar sobre isso ontem. Teria sido perfeito, justamente no dia em que se comemorou os 125 anos da assinatura da Lei Áurea. Aliás, alguém aí lembra da história que correu em 1988 de que essa lei só teria validade por 100 anos e que os negros poderiam voltar a serem escravizados caso o Sarney não a renovasse?

Não tem nada a ver mas achei legal


Voltando ao tema do post, eu acho que uma das minhas qualidades é mudar de opinião. Eu vejo que as pessoas que dizem que preferem ser essa metamorfose ambulante são justamente as que têm a mesma velha opinião formada sobre tudo. Pois bem, eu já fui contra cotas raciais, hoje sou a favor e esse foi um dos pontos que eu mudei de opinião ao longo dos anos.

Sendo branco (ou não, verdade, já fui chamado de branquelo, branco, moreno, negro, árabe, latino e pardo, queria que o IBGE adicionasse "cor de burro quando foge") fica fácil pra mim ser contra as cotas raciais e sendo formado é fácil ser a favor, eu não vou enfrentar vestibular mais, né? No começo eu tinha a opinião compartilhada por muitos: as cotas invertem o racismo, os brancos terão mais dificuldades para entrar, serão barrados na faculdade por um negro com nota menor, seria melhor colocar cotas para estudantes pobres, o certo é melhorar a educação de base...

Eu ainda concordo com tudo isso, exceto a dos pobres, essas existem através de cotas para estudantes da rede pública, mas mesmo assim acho que as cotas raciais são necessárias hoje por um motivo que começou há 125 anos e um dia atrás. Aprendemos na escola que ao mesmo tempo que os negros foram libertos eles não foram reintroduzidos na sociedade e por isso hoje a interseção dos conjuntos de negros e pobres no nosso país é tão grande. Dessa forma penso que adotando as cotas raciais corrigimos hoje um erro cometido séculos atrás. Sim, as gerações atuais e algumas do futuro pagarão por isso mas uma hora isso devia ser feito. Por isso eu acho também que as cotas devem ser temporárias. Com o tempo essas diferenças serão corrigidas, mais negros entrarão nas faculdades fora das cotas e a interseção de pobres e negros reduzirá.

Por outro lado, sou contra cotas em concursos públicos em nível superior. Ora, se todos saem da mesma faculdade, com as mesmas condições, não há mais necessidade de favorecer um grupo. Depois de entrar na faculdade, todos terão as mesmas chances, ainda mais agora que os cotistas receberão bolsa para estudar. Na faculdade a vontade individual faz mais a diferença no sucesso do aluno do que sua origem e o cara que se dedica terá mais chances no concurso.

Mas, quem sabe algo me faça mudar de opinião quanto a isso também um dia?

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