sexta-feira, 4 de julho de 2008

Levando um tiro pelos outros

Quem me conhece um pouco mais, pessoalmente ou pela internet, já deve ter ouvido falar do Renan, meu professor de Kung Fu. Ele é um cara de 45 anos, pai de uma menina de 15 que conseguiu legalmente a guarda dela, coisa rara, negro, de origem pobre, daqueles que viu seus amigos morrerem ao se meter com o tráfico e outras merdas do mundo. Mas, assim como Deus deu o Rock'n'Roll a Gene Simmons e ele "comeu todas as mulheres que quis", Deus deu o Kung Fu ao Renan e ele conheceu vários países do mundo, pessoas de todo tipo, aprendeu línguas, conheceu culturas e viveu afastado do crime. Claro que as origens de uma pessoa pesam e, por mais que você se afaste delas, elas nunca vão se afastar de você e hoje, mesmo tendo uma pequen academia na Zona Sul do Rio de Janeiro, ele ainda deixa claro o que a infância fez a ele. Sabe o que é sofrer preconceito e tem orgulho da sua cor e de sua origem.

Quem o conheceu pessoalmente viu o tipo de figura que é. No meu aniversário deixei metade dos convidados aos seus cuidados porque sabia que ele ia falar com quem estivesse em volta sobre qualquer coisa. E quem está em volta acaba rindo. Isso para não falar nas pérolas que ele solta, algumas já citadas aqui como "um homem não é obrigado a tratar, mas, se tratar, é obrigado a cumprir".

Ele disse uma vez que é o tipo de pessoa que levaria um tiro por um amigo se fosse preciso e eu não duvido. Eu não chego a tanto mas me entrego muito aos meus amigos, às vezes até mais do que eles pedem. Me preocupo, ofereço ajuda, apoio, fico agoniado quando ficam se sufocando com seus problemas mas sem sufocá-los. Procuro estar presente de alguma forma e ajudar como posso. Por isso certas atitudes me doem, como quando me viram as costas. Não por eu pedir ajuda e não darem, mas por me tratarem como algo descartável.

Tento manter alguns por perto, como antigos colegas de faculdade, mas eles não se mexem, larguei de mão. Chamo outros para festas, para bater papo, qualquer coisa, mas ignoram meus convites. Estou abrindo mão desses. Outros se afastam e ainda me dizem isso. Uns se reaproximam, dizem que é insanidade ter pessoas como eu afastadas, e eu os recebo feliz. Já busquei reaproximações, deu certo, mas não sou cachorro vira-lata pra ficar correndo sempre atrás.

Dizem que amigos são a família que escolhemos e eu estou escolhendo melhor a minha.

3 comentários:

Carlos Henrique Vólaro disse...

Uma hora cansa, né compadre? Passo por isso constantemente. Mas eu mesmo não sei ser um amigo lá muito presente: os poucos que me aguentam por um tempo considerável sabem que sou daqueles que precisam sumir de vez em vez. Acontece. Necessidade minha.

Boa iniciativa, cara. Espero que tenha sucesso.

adao braga disse...

Minha lista de amigos é curtissima. E faz bem em escolher seus amigos e ainda saber selecionar.

Beth disse...

Minha lista de amigos tb é curta...mas muitas vezes tenho demonstração de ser querida por muitos - principalmente quando relembro daqueles velhos problemas de saúde que tive e a demonstração de afeto e amor que recebi. Mas, intimamente falando, conto nos dedos os verdadeiros amigos.

beijos
Bela demonstração de amizade.

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