domingo, 28 de agosto de 2005

Um adeus

Freqüentador assíduo do Bar Jóia na esquina da minha rua, personagem do Jardim Botânico e meu vizinho de rua, Seu Wilson morreu nesta madrugada.

Figura engraçada, resmungão, gostava de ser do contra só para animar as conversas e estava sempre disposto a agradar às pessoas de quem gostava. Fã de Elvis, Frank Sinatra e Julia Roberts, acompanhava o trabalho do filho Cadu, roadie de diversas bandas de sucesso recente (Planet Hemp, Nação Zumbi, Cássia Eller e Los Hermanos) e acabava virando fã delas também. Gostava de cachorros, chopp e tinha preguiça de comer.

Como não queria ninguém "chorando em seu buraco", vai ser cremado amanhã no Caju.

Descanse em paz, Seu Wilson.

domingo, 21 de agosto de 2005

Um trauma

Esse trauma eu nunca contei pra ninguém. Não sei se é trauma, se é recalque, mas é uma coisa que me incomoda.

Nunca fui um dos caras mais populares, um dos mais queridos ou um dos mais desejados pelas garotas do colégio. Na verdade acho que até hoje nenhuma garota quis mesmo ficar comigo no colégio. Mas no final do primeiro grau eu comecei a mudar. Passei a jogar basquete com o pessoal, matava aula falando besteira com alguns, conversava com outros na aula, fiquei menos tímido. Achei que as pessoas da turma gostavam de mim.

Na formatura, depois da oitava série tive a surpresa, ou revelação. Todos os outros alunos fizeram uma festa, todo mundo sabia, menos eu, que só fiquei sabendo no dia. Fui pego de surpresa e não fui. E ainda fico muito cismado com isso...

sábado, 20 de agosto de 2005

Nosso lado negro

Tenho medo do que eu posso vir a ser. Acho que sou capaz de perder toda a minha humanidade (ou pelo menos o que chamamos de humano) e parar de dar valor ao menor dos sentimentos. Deixar de respeitar os outros, a vida dos outros e o direito dos outros à vida.

Acha exagero? Eu já me peguei imaginando coisas horríveis das quais até hoje não me arrependo, cenas com extrema nitidez. E ainda consigo vizualizar outras cenas, outros atos que antes não era capaz.


domingo, 14 de agosto de 2005

Irrealidades

Ultimamente tenho reparado que a irrealidade está a cada dia nos ajudando a viver melhor a realidade. E não falo das horas de distração que passamos no cinema ou da "fábrica de ilusões" da TV. É algo mais sutil que nos faz pensar que o mundo real é fantasia.


Quem aqui nos últimos tempos não viu uma foto impressionante e disse "é montagem"? Ou mesmo fotos menos chocantes como as das revistas masculinas. Ou então vídeos que circulam na internet e levantam a dúvida se são reais ou obra de truques de computador. Um exemplo aconteceu quando mostrei uma foto da Daniela Cicarelli patolando um cara no mínimo estranho que retribuia o apertão em seu traseiro. Muitas pessoas falaram logo que era montagem mas um tempo depois vi a mesma foto no jornal com uma pequena explicação dizendo que tratava-se de um amigo da modelo e tudo era brincadeira. Aliás, até hoje a história do décimo primeiro dedo do pé dela está rendendo.


Hoje estava vendo pela primeira vez (acreditem) o famoso filme "Fahrenheit 11 de Setembro". O filme mostra algumas cenas chocantes da guerra no Iraque. Um bebê morto é jogado pro lado como se fosse um boneco velho, corpos carbonizados são linchados, soldados ferido, coisas bem light. Mas as cenas parecem ser de mentira pois já vimos tanta coisa parecida ou pior em filmes de ação, terror e catástrofe que aquilo soa irreal. O bebê parece mesmo um boneco, o homem ferido parece maquiado, as cenas não nos chocam mais a não ser que paremos para pensar um pouco sobre a realidade daquilo.


O mesmo parece acontecer com quem mata. Quem viu esse filme também se lembra dos soldados ouvindo música durante as batalhas e agindo como se estivessem em um vídeo-game. Eu já pensava sobre isso há muito tempo e sempre lembro quando falam que a TV, cinema e jogos são responsáveis por parte da violência. E eu concordo. Não por achar que eles estimulam os homicídios mas por achar que eles fazem tudo parecer irreal. Você atira num cara mas tudo bem, no "próximo filme" ele vai estar fazendo uma ponta de novo como o capanga de outro traficante ou como um dos soldados americanos. Ninguém para para pensar no que acontece depois do tiro, afinal, para os heróis é só mais um que cai do outro lado. Nessas horas sempre lembro de "Os Imperdoáveis" do Clint Eastwood, de 1992. Em determinado momento um rapaz mata um homem sentado no vaso sanitário. Depois ele está bebendo e pensando que por causa disso o homem nunca mais vai andar, falar, pensar ou respirar, só porque ele puxou o gatilho e confessa ter sido a primeira vez que fez isso. Acho que se algumas pessoas parassem para pensar mais no que tem depois que o tiro sai, as coisas seriam bem diferentes.


Não à toa a Christiane Torloni disse que o ator pula do abismo no nosso lugar e justamente isso é que nos faz sentir atraídos pela arte (aquela série "Ser ou não ser" do Fantástico até que é legal). Ver um sofrimento alheio que não existe nos faz sentir melhor com os sofrimentos reais, os nossos e os dos outros.

Posts antigos

Para quem chegou agora e está achando estranho aqueles posts aí embaixo, relaxa. Os posts do outro blog podem ser vistos todos aqui:


Set/2002

Out/2002

Nov/2002

Fev/2003

Mar/2003

Abr/2003

Mai/2003

Jun/2003

Jul/2003

Ago/2003

Set/2003

Out/2003

Nov/2003

Dez/2003

Jan/2004

Fev/2004

Mar/2004

Abr/2004

Abr/2004

Abr/2004

Mai/2004

Jun/2004

Jul/2004

Ago/2004

Set/2004

Out/2004

Nov/2004

Dez/2004

Jan/2005

Fev/2005

Mar/2005

Abr/2005

Mai/2005

Jun/2005

Jul/2005

De volta

Estou de volta a este endereço já que em breve devo deixar o outro endereço para trás por motivos técnico-financeiros.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails