domingo, 13 de janeiro de 2008

Meu avô




Hoje fiz essa estripulia da foto, voltando a brincar como quando era criança, aprontando de bicicleta. Quem me ensinou a fazer isso foi meu avô.

Meu pediatra, Dr Dario, dizia ser nosso avô (meu e do meu irmão) e dizia que mãe educa, pai deseduca e avô corrompe. Meu avô, seu Cadmo, nos aturava em sua casa em Realengo. Lá ele fazia estilingue pra gente (tem um do meu irmão até hoje aqui, sem a borracha), jogava vôlei e nos levava para andar de bicicleta no campinho que tinha ali perto, onde disse que andava desse jeito quando era criança.

Ele aprendeu a nadar no Rio São Francisco quando ainda morava em Alagoas nas cidades de Piranhas e Penedo. Fugiu de Lampião algumas vezes e odiava quando ouvia dizer que ele foi um herói. Veio para o Rio com 17 anos expulso pelo pai que já o achava muito velho para criá-lo. Chorou no barco vindo para cá quando se viu cercado de mar por todos os lados. Se casou com uma mulher dez anos mais velha contra a vontade da família. Fugiu do Nordeste com ela.

Não era um tipo de homem muito educado ou carinhoso no trato com as pessoas, mesmo a família, mas como ser assim se em casa ele não teve esse carinho? Criou duas filhas como lustrador de móveis no Catete e uma vez foi de lá até Realengo de bicicleta. Cuidava da casa com as próprias mãos, gostava de cachorros.

Ele partiu aos 82 anos em maio de 2001. Nas fotos ele estava andando de caiaque em Búzios aos 76 anos. O namorado da minha mãe na época, ao vê-lo nadar depois de muito tempo sem entrar na água disse "quem foi rei nunca perde a majestade".


9 comentários:

Adao Braga disse...

Vou adotar a frase:

"Mãe educa, pai deseduca, avô corrompe."

kkkkkkkkkkk

Uma delicia isso, numa manhã quente de segunda-feira...

kkkkk

Danfern disse...

Eu já te disse que gosto de saber do passado, né? Adorei umas fotos antigas que vc mostrou uma vez e do que vc comentou à época...

E agora...Muito legal a história do teu avô! Pessoas que lutaram muito, apanharam muito da vida mas nunca perderam a vontade de viver...Que podem não parecer muito gentis à primeira vista, creio que mais como defesa contra as dificuldades da vida, e que na verdade têm um coração muito bom...

Meu pai tb era nordestino e tb não teve uma vida fácil, e lembrando da história dele e agora lendo a do teu avô, me veio agora à mente uma frase do Euclides da Cunha...
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte"

Tudo de bom ae, rapaz !!!
:-)

*Fernanda* disse...

Lindo post! Deu uma saudade boa e doída do meu avô...

Beijo grande!

Cármen Neves disse...

Murdock, tenho boas lembranças do meu avô paterno,( o materno marava longe). Ele levava as minhas irmãs e eu à praia! Bons tempos aqueles!
Gostei das fotos. Um abraço e grata pelas visitas.

Anna Flávia disse...

Ah, que fera você na bicicleta! ashuae
E igual a avô e avó não tem igual. O meu partiu dois anos depois. Sinto muita saudade.

Beijo

Nana Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Silvia disse...

Que delicia essas fotos do seu avô!
Tomara que você repita os passos, ou braçadas, dele por longoooo tempo.
Beijosss

EUZINHA disse...

SABE EU TB APRENDI A ANDAR DE BICI CO MEU AVO E POSSO TE DIZER QUE TANTAS OUTRS COISAS ELE ME ENSINOU...UMA DELAS FOI VIVER A VIDA SEMPRE COMO UM INCIO E NAUM COMO UM FIM.....

EUZINHA disse...

SABE EU TB APRENDI A ANDAR DE BICI CO MEU AVO E POSSO TE DIZER QUE TANTAS OUTRS COISAS ELE ME ENSINOU...UMA DELAS FOI VIVER A VIDA SEMPRE COMO UM INCIO E NAUM COMO UM FIM.....

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