Há pouco tempo fiz um post falando sobre design por eu gostar do assunto. Semana passada houve uma discussão entre os profissionais da área por causa de um site que oferece logotipos com preços a partir de R$195,00 em que o cliente escolhe quanto quer pagar. Vários designer cadastrados enviam suas propostas com preço e o cliente escolhe o que quer, mais ou menos isso.
No meio das discussões vi argumentos de vários tipos, uns contra o site, outros dizendo que um bom designer não deve temer esse tipo de concorrência. Pregavam a valorização do profissional, a falta de regulamentação da profissão, etc.
Acabei comentando o post em um blog questionando dois comentários lá. Um mostrava o processo de criação do novo logo da Pepsi e questionava o valor de US$100.000,00 pago ao que o autor do post disse que valeria mais ainda dada a responsabilidade e demanda do projeto. Da minha parte questionei de que adiantava o criador da marca dizer que esse logo trazia o Universo, a Terra, campos magnéticos e o escambau se o público só enxerga um gordo com
a camisa levantando
.

Não fui respondido e acharia legal se alguém do ramo me respondesse. Lembram quando questionaram o valor de R$50.000,00 pago para o estudo do novo nome da Petrobras para Petrobrax?
Outro foi além e aí meu saco trincou. O cara comparou o site de logos com um site médico onde o paciente diria a doença e os "curandeiros" dariam receitas (o curandeiros é por conta dele). Repliquei dizendo que não considero medicina uma profissão como outra qualquer e a comparação era esdrúxula. Falei que a faculdade pode fazer um engenheiro, um designer, um advogado mas não um médico. Outros fatores nos fazem ser BONS engenheiros, advogados, designers e médicos. O cara quis dizer que eu falei falei e não disse nada, que ele não falou de faculdade mas da legalidade da coisa. Ainda repliquei mas ele parece que não quis estender a discussão. Se quiserem ver como foi, dá pra ver no blog.
Eu realmente não acho que medicina seja uma profissão como outra qualquer. Enfermagem pode ser incluída aí mas vou falar só medicina pra facilitar.
Existem profissões para quais precisamos de mais aptidão, outras menos. Alguém que queira ser físico tem que ter aptidão com números, um professor tem que ter a habilidade da didática (mesmo ensinando na faculdade, não acho que isso se aprenda assim) mas um médico lida com vidas, um erro dele pode causar a morte imediata de alguém.
Se eu errar alguma coisa, posso causa outra Deepwater Horizon mas as chances disso acontecer são remotas, é preciso que uma cadeia de erros enorme aconteça. Uma falha minha pode causar a morte de uma pessoa, mas mesmo assim outros erros precisam acontecer. Se um médico errar, ops, cortei a perna errada. A enfermeira confunde os frascos e pronto, injeta vaselina ao invés da vacina.
O médico é aquele cara que ama realmente a profissão e continuaria exercendo mesmo ganhando na Megassena. Tenho um amigo que já se dispôs a pagar um táxi de Realengo ao Humaitá porque um paciente seu estava com hemorragia e ele sabia que em poucas horas ele poderia morrer. Sabe aquele chapéu do Harry Potter que dizia pra onde cada aprendiz devia ir? Pois é, acho que pra fazer medicina devia ter um chapéu assim que dissesse se o cara pode ou não ser médico.
Dane-se que 95% das coisas que eu uso tem design (a grande maioria bem porco, vide minha área de trabalho), ninguém vai morrer por causa de um telefone feio ou um logotipo tosco.