sexta-feira, 8 de abril de 2011

First Blood



Desde ontem certamente muita gente está tentando imaginar o que levou aquele cara a fazer o que fez em Realengo. A imprensa recebeu um excelente presente pelo dia do jornalista e tenta suprir essa ânsia da população por uma explicação e aí surgem várias teorias. Carta fundamentalista, islamismo, HIV, bullying, vídeo game ou ele simplesmente era louco. Do meu lado eu apostaria numa junção dos dois últimoscasos, um pouco de loucura aliado a abusos no colégio.

Quando aconteceu incidente com Casey Heynes eu falei que sua reação foi a melhor para uma criança pois crianças não entendem conversa de adulto e não sabem argumentar como adultos. Vemos "educadores" dizendo que o diálogo é melhor mas ninguém percebe que a cabeça deles não é a mesma das crianças. Eu falei também que sua reação foi melhor do que, ao crescer, pegar uma arma e atirar em todos. Ou se matar. Ou os dois.

O autor do massacre na Virginia Tech era vítima de preconceito por ser coreano, vivia isolado e resolveu se vingar. O cara em Realengo se vingou nas pessoas erradas. Seus colegas de colégio admitem que "pegavam muito no pé dele mas que não a ponto de fazer isso". Crianças, adolescentes e muitas vezes adultos nunca acham que o que fazem chegará a tanto, é sempre uma reação exagerada do outro. Acontece que ninguém está na cabeça do outro pra saber como ele está absorvendo e reagindo àquilo.

Minha tia é psicóloga e uma vez presenciou, numa sessão em grupo, um rapaz muito grande e forte ser provocado por outros, todos tinham distúrbios mentais, por isso a sessão. O rapaz dava pancadas na parede dizendo que estava ficando irritado enquanto os outros o provocavam. Minha tia mandou chamar o enfermeiro mais forte da clínica antes que ele resolvesse agir e matasse todos.

No colégio onde estudei até a 8ª série e onde sofri a maior parte das provocações houve um incidente que fez um inspetor passar mal e no qual meu irmão por pouco não leva a pior. O aluno mais azucrinado da turma dele teve seu pior dia lá, todos o provocando das mais diversas formas, agressões físicas também. Meu irmão conta que em dado momento o garoto estava sentado, com expressão raivosa e de repente se levantou pegando uma tesoura de ponta. Correu para o banheiro atrás de um dos garotos que mais o perturbavam, foi pra cima mas meu irmão segurou seu braço esquerdo, o garoto virou com a tesoura na mão direita para atingir meu irmão mas outro garoto segurou o outro braço. O que ia ser atacado na primeira vez aproveitou para chutar-lhe o estômago. Todos eram crianças, no máximo 12 anos.

Alguns anos antes, um garoto que hoje é famoso (não perguntem quem), era o abusado do colégio mas já era protegido pela irmã, as amigas da irmã e as professoras. Um certo dia ele estava abusando, sob estímulos da irmã e as amigas, do meu irmão que reagiu deixando seu olho roxo. No dia seguinte uma professora diz para ele, "se ele fizer isso de novo me avis que eu bato nele" se referindo ao meu irmão. Meu pai, ao saber disso em casa completou "se ela fizer isso, eu vou lá e bato nela". Ainda hoje dizem para professores agirem contra os abusos mas eles parecem nunca enxergar. Ou fingem.

E nem vou contar aqui os MEUS casos, isso pode ser em outro post

Claro que com isso não estou justificando o que Wellington fez, só estou botando minha visão e fazendo a ligação do seu passado com o que poderia passar pela sua mente. Esse é um grande erro das pessoas, achar que todos agem de acordo com o que se passa em suas próprias cabeças e com o padrão estabelecido. Se é que dá pra estabelecer um padrão. Por que ele atacou as crianças que não foram as mesmas que abusaram dele? Talvez por ele ter feito com atraso, não tinha mais como encontrar os alunos de anos atrás, foi ao lugar que trazia as lembranças do que ele passou.

Para explicar algumas coisas é preciso colocar o dedo em feridas que ninguém quer mexer. Será que alguns dos seus colegas de escola agora estão pensando que exageraram na dose? Talvez alguém na Virginia Tech pense isso quando lembra de um dos 32 mortos por Seung-Hui Cho. Mas é sempre mais fácil dizer que o assassino era um louco, tratar como caso isolado e ficar chocado quando acontecer de novo. Sim, porque sempre acontece de novo, mas muita gente esqueceu do ataque ao cinema Morumbi. Foi mais fácil associá-lo a um jogo de video game.

Cada um tem sua explicação, essa foi a minha.

2 comentários:

Julie Rossi disse...

Nao tenho " menos " dor por ele (atirador) do quanto tenho pelas crianças mortas...Tudo dói. Nao adianta culpar os governantes, os filhos da puticis que me sacaneavam na escola, minha condiçao financeira...Nao há um culpado...O ser humano é doente por nascimento. Uns com a sorte e chance de ter algo melhor que o outro que lê agora...Gente, amorzinho...sei la...estou anestesiada...escrevendo besteiras por nao ter o racional em pé e sim, deitado onde as violetas descansam...

Camila Guinsani disse...

Imagine quanta raiva havia guardada há quanto tempo ele está reprimindo esse sentimento, aguardando a hora certa para se libertar de tudo pelo que passou?
Talvez, na mente de uma pessoa com problemas tão profundos quanto esse, o tempo nem existisse...
Justifica? Claro que não.
Mas talvez somente dessa forma possamos tentar entender o que se passou, e não perder a fé nas pessoas e na vida.
Beijos!

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